Orelha de Mais um para a sua estante

Oi, Rafael, tudo bem?

Desculpe-me por não ter lhe dado notícias antes. Mas tive dias meios carregados e, como você, lembrando Philip Roth, bem destaca na sua bela crônica “O que fazer da literatura?” (uma das minhas preferidas), ler, para mim, “exige silêncio, isolamento, concentração”. Reservei este domingo para ler seu livro; reler o que já tinha lido e concluir a leitura. Confesso que valeu a pena.

Suas crônicas têm um jeito tranquilo de ser; sem escancarar que chegaram, elas vão de mansinho envolvendo o leitor. Pelo menos foi assim com esta leitora aqui, que, como já lhe disse, não é uma especialista. É, apenas, leitora. E gostou de ler o seu Mais um para a sua estante.

Encontrei-me em suas crônicas: arrumando livros na estante e tentando critérios para ordená-los, quando li “Carnaval entre livros” (ajo sempre assim quando vou arrumar a minha estante); lembrei Clarice Lispector falando da dureza que é escrever, lendo “As ferramentas do escritor”; com “A literatura e seus efeitos”, me vi na sala de aula conversando com meus alunos sobre leitura, essa coisa mágica que “pode causar as mais diversas sensações em uma pessoa, mudar a vida, fazer com que a pessoa descubra mais sobre si mesma, fazê-la compreender quão incompleta fora a sua trajetória até o instante em que finalizou a leitura”.

Tive, Rafael, um domingo feliz lendo o seu Mais um para a sua estante. E, concordando com você, devemos ter a literatura sempre por perto; suas crônicas foram uma grande companhia neste Domingo de Ramos. Ofereceram-me surpresas do cotidiano, lembranças (de vida e de profissão), linguagem leve sem pompa nem circunstância, boa de ser lida. Foi um domingo manso, tranquilo e reflexivo. Obrigada.

Ana Rita de Almeida Neves